Roma – Leia a Crítica!

Como um filme pode ser tão simples e ao mesmo tempo tão complexo? Lendo isso, você deve estar pensando que isso são coisas contraditórias e que essa frase nem faça sentido. Mas para quem assistiu o filme Roma pode entender o que eu acabei de dizer. A produção que já arrebatou vários prêmios como o de melhor filme estrangeiro no Globo de Ouro, vem com tudo pra disputar o Oscar 2019. Ao lado de A Favorita tem a maior quantidade de indicações num total de dez. E olha que o filme mexicano aparece disputando as categorias mais importantes. Mas depois de assistir o longa de Alfonso Cuáron a primeira pergunta que talvez muitas pessoas fazem é: esse filme é isso tudo? Pode parecer até estranho, mas a resposta é sim. E vou tentar te explicar nesta análise.

Sinopse: O longa se passa na Cidade do México, 1970 no bairro que se chama Roma. A rotina de uma família de classe média é controlada de maneira silenciosa por uma mulher (Yalitza Aparicio), que trabalha como babá e empregada doméstica. Durante um ano, diversos acontecimentos inesperados começam a afetar a vida de todos os moradores da casa, dando origem a uma série de mudanças, coletivas e pessoais.

Pra começar, por esta sinopse, você já percebe que o roteiro do filme nos conta algo que é muito comum em qualquer lugar. Estou falando da rotina de uma família de classe alta que vive em uma casa que é o cenário principal deste filme. Nesta residência moram pai, mãe, avó, três crianças e duas empregadas. Uma dessas funcionárias é a personagem principal, a Cleo. Mas é exatamente a partir daí que Cuáron começa a nos mostrar a importância deste filme. Pra começar, a Cleo representa a índia Liboria Rodriguez que cuidou das crianças da família do cineasta desde quando ele tinha apenas nove meses. Por isso no fim a dedicatória a ela que serviu de inspiração para que ele nos mostrasse a importância dessas domésticas na criação de muitos filhos na época.

Roma é praticamente uma lembrança da infância de seu autor. E nesse contexto, Cuáron volta ao passado e nos mostra que pessoas como Cleo não são apenas pessoas que cozinham, lavam roupa ou limpam o cocô do cachorro. Elas possuem necessidades, sofrem com problemas pessoais, tem uma vida própria. E é exatamente nessa premissa que a atriz Yaritza Aparicio faz sua primeira aparição nas telonas de forma brilhante. Uma personagem extremamente tímida, recatada, de pouca conversa e com um semblante muito sofrido em praticamente todo o filme. Mas no fundo, apesar de tudo, ela se sente feliz pela vida rotineira que leva e pelo amor que as crianças sentem por ela.

Mas no segundo ato do longa, Cuáron nos traz uma reviravolta nessa história. E pra quem pensa que é algo surpreendente, se engana. Ele continua usando fatores bastante comuns pra finalizar esta narrativa. Duas coisas acontecem praticamente ao mesmo tempo nas vidas da patroa e da doméstica, que acabam influenciando muito ano futuro de toda a família. Algo que desde o passado parece ser normal em qualquer lar, mas que traz sofrimento, decisões, mudanças e consequências.

 

O filme ainda tem aspectos técnicos fantásticos. Foi rodado em 65mm digital e lançado por uma plataforma Streaming, mas ao mesmo tempo é preto e branco, tendo uma aspecto clássico. Acredito que é pra dar a ideia de como eram as coisas no passado e levar-nos a mergulhar nessas coisas antigas. A fotografia é belíssima, apesar da falta de cores. E a direção de Alfonso Cuáron é magnífica nos trazendo movimentos de câmeras incríveis, mas também ao mesmo tempo simples, como era no passado. Ele usa e abusa dos travelings, colocando diversas cenas longas em uma única tomada, algumas com giros de 360 graus.

Apesar de ser uma obra de arte, Roma é cansativo. É preciso muita paciência pra assistir as duas horas e quinze minutos de filme. E no fim, muita gente pode ainda detestar por achar que viu algo tão banal. Mas basta tentar compreender melhor tudo, que as opiniões podem mudar e muito.

Nota 9