Infiltrado na Klan – Leia a crítica!

O diretor Spike Lee vem com tudo neste filme que mostra, por incrível que pareça, a história real de Ron Stallworth. O jovem negro foi um policial do Colorado, que em 1978 conseguiu se infiltrar na Ku Klux Klan local. Ele se comunicava com os outros membros do grupo através de telefonemas e cartas, quando precisava estar fisicamente presente enviava um outro policial branco no seu lugar. Depois de meses de investigação, Ron se tornou o líder da seita, sendo responsável por sabotar uma série de linchamentos e outros crimes de ódio orquestrados pelos racistas.

Quando escrevi “por incrível que pareça” no início da minha análise é que esta comédia dramática parece mais com uma ficção baseada em fatos reais do que algo que realmente tenha acontecido de verdade. É que em alguns momentos desse ótimo roteiro, o público questiona como algumas coisas que chegam a beira do ridículo não foram descobertas nessa infiltração do policial. São vários os exemplos disso, como os nomes iguais, as vozes diferentes que seriam da mesma pessoa, a escolta do próprio Ron disfarçado ao líder do KKK. Com essas e outras, me peguei várias vezes pensando se o que eu estava assistindo aconteceu mesmo.

De qualquer forma, mesmo que pareça absurdo, Infiltrado na Klan consegue nos contar essa história extremamente polêmica e de certa forma pesada, de uma jeito bastante leve, eficaz e até cômico, o que faz com que o expectador se interesse cada vez mais pelo tema e se coloque no meio das divergências entre negros e brancos muito bem retratada no longa.

Como já fez em diversas obras ao longo da carreira, Spike Lee consegue mais uma vez abordar o racismo de uma forma bastante interessante, trazendo um foto histórico à tona, que se não fosse esse talento incrível que tem, poderia ser mais um documentário chato do que uma produção extremamente bem feita para as telonas. E o diretor explora ângulos incríveis mostrando por exemplo os rostos de vários negros boquiabertos com o discurso de um líder que está surgindo para defender os afro-decendentes.

Também tira o máximo do elenco, trazendo interpretações excelentes. E aqui destaco o ótimo trabalho de John David Washington que interpreta Ron com uma atuação extremamente agradável. O ator faz uma ótima atuação e consegue fazer com que o personagem principal se torne o queridinho do público. Pena que isso não foi suficiente para a academia colocá-lo entre os indicados a melhor ator no Oscar 2019. No lugar dele, Adam Driver foi o indicado para coadjuvante, algo que eu particularmente não concordei. Não que o Kylo Ren de Star Wars tenha feito algo ruim. Ele está bom no filme como o “dublê” do amigo policial Ron. Mas nada de extraordinário pra ter sido indicado.

De qualquer forma, Infiltrado na Klan é um filme que merece ser visto e discutido. É uma ótima produção que aborda algo tão profundo de uma maneira tão leve, algo que poucos cineastas conseguem fazer. E nisso, Spike Lee é um mestre!

Nota 8