Demolidor – Leia a Crítica da Temporada 3

De todas os quatro heróis que a Marvel lançou juntamente com a Netflix e que até se juntaram em “Defensores” em 2017, sem dúvida a série focada no Demolidor é disparada a melhor delas. Com uma primeira temporada impecável, uma segunda cheia de altos e baixos e agora uma terceira muito boa, a história que envolve o chamado “Demônio de Hell’s Kitchen” continua sendo a mais atrativa e aprofundada já feita para o serviço de streaming até hoje.

A terceira temporada começa após os acontecimentos da última aparição do Demolidor que aconteceu na série “Os Defensores” que reuniu além dele, Jessica Jones, Luke Cage e Punho de Ferro. O personagem foi visto à beira da morte no último episódio. Desaparecido por meses, Matt Murdock (Charlie Cox) ressurge como um homem quebrado, questionando seu futuro como o vigilante Demolidor e advogado Matthew Murdock. Mas quando seu arqui-inimigo Wilson Fisk é libertado da prisão, Matt deve escolher entre se esconder do mundo ou abraçar seu destino como um herói.

A trama desta nova produção é com certeza bastante envolvente já que coloca o personagem principal em uma situação de muita pressão. Matt Murdock tem de enfrentar os traumas do seu passado e as consequências da sua condição física, tem de escolher entre continuar a vida como um advogado cego ao lado de seus melhores amigos ou combater o crime como o vigilante e ainda por cima aceitar que combater o mal é algo extremamente difícil. O roteiro é muito bom e bastante envolvente, nos mostrando todas estas premissas enfrentadas pelo nosso herói. Mas confesso que a trama se torna às vezes um pouco cansativa por se aprofundar demais, especialmente nos detalhes de personagens coadjuvantes, como o passado da Karen Page e os dramas de Nelson Foggy. Até mesmo a história envolvendo o agente especial Ray Nadeen poderia ser mais resumida, apesar de ser uma boa novidade. Com isso, acredito que a narrativa nem precisava ter 13 episódios.

Por outro lado, as histórias envolvendo o trio de herói e anti-heróis é que são os grandes atrativos dessa temporada. As dificuldades de Matt Murdock, a transformação do agente Poindexter em “Mercenário” (ainda incompleta, digamos assim) e a volta de Wilson Fisk como o grande vilão nos fazem ficar grudados na tela querendo assistir todos os episódios em parar.

Outro ponto bastante positivo é a atuação de todo o elenco, dos principais aos coadjuvantes. Todos estão excelentes, dos veteranos aos novatos. Fazem interpretações marcantes e memoráveis mostrando uma química imprescindível para uma trama tão forte. É claro que temos de destacar o trabalho do ator Charlie Cox que veio pra ficar na pele do Daredevil, sustentando de forma magistral o personagem principal da série.

Demolidor ainda continua superando todas as outras séries de heróis da Netflix/Marvel no quesito cenas de ação. As sequências que mostram o herói lutando contra bandidos, policiais corruptos e principalmente contra o Rei do Crime e o Mercenário são de encher os olhos. As coreografias ainda continuam nos surpreendendo já que nos mostram algo realista com pancadas que têm consequências físicas, com sangue e hematomas, sem serem exageradas.

Por fim, para os fãs mais exigentes, essa terceira temporada ainda nos brinca com inúmeras referências aos quadrinhos. Os mais nerds terão diversos “easter eggs” ao longo dos treze capítulos como as cordas nos punhos do herói, as citações dos codinomes “Rei do Crime” e “Homem Sem Medo”, a flor vermelha no terno de Fisk, o boné com o símbolo do alvo do Mercenário quando ele ainda era criança, a cirurgia de coluna do vilão que está por vir, a pancadaria de Matt Murdock na cadeia na tentativa de combater Fisk e uma série de outras cenas que estão nas HQs. Só nos resta torcer para que a Netflix não cancele Demolidor como fez com Luke Cage e Punho de Ferro. E que venha a quarta temporada!

Nota 8