Dark 2 – Leia a Crítica

Quando assisti a primeira temporada de Dark fiquei impressionado com a qualidade dessa produção alemã, o que nos mostra que nem só de Hollywood vive a sétima arte. Sem dúvida é uma das melhores séries que já assisti na vida. Mas já de cara digo que pra assistí-la é preciso estar disposto a queimar muitos, mas muitos neurônios. É uma produção daquelas de dar um grande nó na cabeça e no fim, mesmo depois de pensar muito, ainda ficam inúmeras dúvidas no ar. E isso é muito bom pois provoca uma enorme discussão pós temporada já que imediatamente vamos pra internet pesquisar e debater o que acabamos de assistir.

A série gira em torno de quatro diferentes famílias que vivem em uma pequena cidade alemã. Suas vidas pacatas são completamente atormentadas quando duas crianças desaparecem misteriosamente colocando à tona diversos segredos das pessoas que vivem naquele local.

A história é dividida em três ciclos e por isso é uma trilogia. Acabamos de assistir a segunda temporada e como aconteceu com a anterior, amamos o que vimos. Esta continuação responde muitos mistérios deixados no ar, mas ao mesmo tempo cria novas pontas que sem a terceira parte continuam fritando nossos cérebros. O roteiro escrito por Baran Bo Odar e Jantje Friese é um dos mais complexos, instigantes e inteligentes que já vi em toda a minha vida. A cada episódio assistido você se pergunta: “como os caras conseguem criar algo assim”?

Sem dúvida é uma viagem (bem viajada) no tempo e totalmente diferente daquelas que já vimos antes no cinema e na TV usando este mesmo tema. Dark tem todos os elementos necessários para ser considerada talvez a melhor série da Netflix. A narrativa, apesar de ser de difícil compreensão, é extremamente curiosa e nunca se torna cansativa, mesmo deixando a gente muito confuso durante a nossa experiência. E justamente por isso é preciso muita, mas muita atenção do expectador. Sugiro sempre assistir vídeos que existem no YouTube que explicam cada episódio antes de passar para o próximo. Ou pelo menos assistir as explicações de toda a temporada ao término. Com certeza terão muitos detalhes que você deixará passar em branco. Sem contar nas hipóteses para o que está por vir.

Além da trama, a série tem uma fotografia belíssima e ao mesmo tempo bem dark (escura) o que casa direitinho com a proposta daquilo que está sendo contado. Os efeitos especiais também são bons, apesar de não ser o foco da produção. A trilha sonora é impecável e a cada acontecimento temos uma aula de como a música certa é capaz de impactar ainda mais a nossa percepção do que estamos vendo. A direção, que também é do criador da série Baran Bo Odar, é algo sublime, eficiente e digno de ser estudado.

E por fim temos um elenco de atores fantásticos trabalhando muito bem nas atuações. São nomes que não estamos acostumados a ver já que se tratam de alemães, mas as interpretações são tão boas que acabam superando muitos famosos norte-americanos já bem conhecidos no nosso meio.

A segunda temporada é tão boa quanto a primeira e nos deixa extremamente ansiosos para ver onde tudo aquilo vai dar. O final desta segunda parte é totalmente surpreendente e abre portas (ou portais) para um rumo totalmente diferente daquele que vimos antes. Espero não decepcionar com a conclusão desta obra-prima da TV já que a expectativa continua lá em cima pra sermos brindados com algo espetacular na próxima temporada.

Nota 10