Bohemian Rhapsody – Leia a Crítica!

Quando foi divulgada a primeira foto do ator Rami Malek caracterizado como o astro Freddie Mercury como forma de divulgação do filme que contaria a história da banda Queen eu quase caí duro no chão de tanta emoção. É que como fã do bom e velho Rock’n’Roll e tendo este grupo como um de meus preferidos, fiquei extremamente empolgado com a notícia e desde então criei uma enorme expectativa com relação a esta produção cinematográfica. O meu medo era de que toda essa ansiedade se transformasse em frustração com a estreia do longa. felizmente isso não aconteceu. Não que o filme seja excelente, mas me agradou bastante.

Pra começar esta análise preciso primeiramente destacar o trabalho brilhante de Malek, que já mostrou que é um excelente ator, especialmente em Mr. Robot série em que conquistou alguns prêmios como o Emmy Awards de melhor ator em 2016. Agora interpretando Freddie Mercury, ele faz a melhor atuação de sua carreira até aqui na minha opinião. Fisicamente ele até não se parece tanto com o cantor e confesso que muitas vezes a dentadura exagerada e os olhos esbugalhados de Malek incomodam um pouco. Mas a gente acaba deixando isso de lado quando o ator encarna profundamente o personagem. Os movimentos, a fala, os trejeitos, as expressões, o jeito de cantar e dançar, tudo é muito próximo ao real e convence bastante. Acredito que depois dessa atuação finalmente chegou a hora de Rami Malek ser lembrado com uma indicação ao Oscar do ano que vem.

Mas não é apenas o ator principal que se destaca. O restante do elenco também está ótimo e na maioria do tempo temos a impressão de estar vendo os próprios membros da banda Queen.

A trilha sonora também está extremamente empolgante como era pra ser, já que seria um vexame se um filme sobre a banda de músicas tão marcantes não agradasse. A qualidade sonora com a edição e mixagem de som funcionam muito bem, desde os ensaios até as apresentações, mesmo sendo “dubladas”. E essa experiência fica bem melhor se você assistir em uma sala com um som poderoso como a que assistimos (sala Vip da Cinépolis). A cada música tocada eu cantava, tocava guitarra imaginária ou pulava da poltrona de tanta empolgação. Apenas achei que cortaram muito a parte da canção “I Want To Break Free” que sem dúvida foi um dos grandes hits do Queen e que chocou com o clipe em que os integrantes aparecem vestidos de mulher. Faltou explorar mais esse momento histórico da banda.

Infelizmente o que deveria ser melhor não foi. O roteiro deixou muito a desejar. Achei bastante superficial em diversos momentos. Pra começar, logo no início da projeção somos apresentados a um jovem cantor que ousado se apresenta pra uma banda querendo ser o astro que nasceu pra ser. Do primeiro show em uma casa de shows bem pequena já se passa um ano e eles já estão no estúdio gravando o primeiro álbum. E esses pulos no tempo continuam a acontecer várias vezes, especialmente nos momentos mais polêmicos da carreira de Freedie. A produção não vai tão longe quando conta as brigas entre os membros da banda. O filme não explora profundamente a homossexualidade do cantor e o medo dele de assumir que é gay. Também não aborda tanto o fato que Freddie contraiu AIDS, que na época era a doença mais grave e polêmica.

E no terceiro ato gasta-se muito tempo (o que não é tão ruim assim) mostrando um dos shows mais importantes do Queen que foi o Live Aid. No terceiro ato do longa temos um pequeno show dos atores que interpretam seus personagens. Acredito que seria melhor se tivessem mostrado como foi a decadência de Freedie com a AIDS e sua morte. O cantor que negou até o último momento ser soro-positivo e que ficou recluso em casa, sem aparecer durante um bom tempo porque estava debilitado, sem andar e até cego, esperando a morte chegar.

Mesmo assim, Bohemian Rhapsody é sem dúvida um bom filme, especialmente para fãs como eu!

Nota 7