Mulher Maravilha 1984 é Muito Ruim – Leia a Crítica

Grandes expectativas podem trazer grandes frustrações. Essa é uma frase antiga que sempre digo em muitas de minhas análises. E vez ou outra, infelizmente tenho que usá-la. E desta vez ela se encaixa perfeitamente nesta crítica do segundo filme de uma das heroínas mais famosas do universo da DC Comics. Depois de um excelente filme que nos conta a origem da amazona semi-deusa e de fortes aparições nos longas “Batman Vs Superman” e “A Liga da Justiça”, colocamos na cabeça que depois de tanto sucesso sempre teríamos ótimas sequências, o que para nossa tristeza não aconteceu. Mulher Maravilha 1984 é pra mim um dos piores filmes que já vi até hoje. É triste ter de falar isso, mas é a verdade!

Contém Spoilers

O filme já começa cheio de erros de continuidade em relação ao primeiro longa. Diana ainda criança nos é apresentada participando de uma espécie de “olimpíadas” em combate ao lado de concorrentes guerreiras e adultas. Em vários momentos a mãe dela, a Rainha Hipólita, se mostra orgulhosa da filha competindo de igual pra igual com as mais velhas. Mas o problema é que no primeiro filme a mesma rainha proibia a filha de participar de qualquer treinamento ou luta. Depois o filme avança algumas décadas e nos mostra Diana nos anos 80. E quando ela aparece combatendo o crime em um shopping, as pessoas ficam boquiabertas com a heroína que surge naquele exato momento. Isso nos leva a crer que ela ficou escondida desde 1916 (ano que se passa o primeiro filme) até 1984. Será que nesse tempo todo ela não salvou nem um gatinho preso em uma árvore? E pra piorar, 68 anos depois ela ainda continua amando Steve Travor! Isso que é amor hein?

Mas o roteiro ainda fica muito pior quando nos mostra a descoberta de uma pedra mágica capaz de realizar todos os desejos de quem a esfrega. Oi?????? Parece que já vimos essa premissa em um clássico infantil da Disney não é mesmo? Pois é a partir das realizações desses desejos que a responsável pelo filme Patty Jenkins nos enrola duas horas e meia numa história extremamente cansativa e que em vários momentos chega a beira do ridículo.

Max Lord pede pra ser rico. Mas a gente vê que só isso não basta pra ele. Ele tem que se tornar mal e destruir o mundo, sem motivo convincente. Essa é a justificativa pra ele se tornar o principal vilão do filme. A Bárbara Ann Minerva pede pra deixar de ser uma “Zé Ninguém” e sonha em ser notada como a Diana. Com o desejo realizado ela fica poderosa também. Mas aí ela deixa de ser a amiga legal pra ser a inimiga que só pensa nela mesma e não tá nem aí se o mundo acabar e todos morrerem. E quando ela pede mais querendo ser uma “predadora” vira a Cheetara dos Thundercats. Mas pra piorar tudo, o pedido da Diana é o pior. Ela quer o Steve Travor de volta. E ele aparece, mas no corpo de outro homem que do nada chega pra Mulher Maravilha, fala umas frases e coloca um relógio na mão dela e a poderosa já vai dormir com um homem totalmente estranho. Meu Deus! Nem o clássico Ghost abusou tanto desse “recurso”.

Tirando a narrativa chata e absurda, Mulher Maravilha 84 ainda tem efeitos especiais ruins. Em inúmeras cenas é perfeitamente possível ver que nada daquilo se parece real. Fica nítido que estamos vendo bonecões feitos por computação gráfica. Sem contar que o laço da verdade é usado constantemente como os cipós do Tarzan ou as teias do Homem-Aranha. Só que aqui de forma extremamente exagerada. Nossa heroína é capaz de usar esse recurso para laçar um avião que surge a quilômetros de altura pra “pegar carona” ou se pendurar em raios durante uma tempestade. E depois que aprende a fazer isso ela simplesmente voa! Bom, se ela faz isso nos quadrinhos tudo bem. Mas acredito que essas coisas exageradas num filme não ficam legais.

Os combates finais com os dois vilões também são muito fracos. A Mulher Leopardo depois de se pendurar em cabos de alta tensão é vencida com eletricidade. Na luta a tão esperada nova armadura da Mulher Maravilha não serve pra nada a não ser talvez fazer uma homenagem aos cavaleiros de ouro de Cavaleiros do Zodíaco. E o Max Lord tem um monólogo como seu fim.

Bom, vou parar por aqui porque são inúmeros problemas que poderiam ser descritos. O que salva são as ótimas atuações de Pedro Pascal e Kristen Wiig, a referência ao desenho antigo quando Diana e Trevor viajam e a cena pós-crédito que traz uma linda homenagem aos mais saudosistas.

Nota 3